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PEDRAS DO CAMINHO

Fui. Mas a busca continua...

Altar da Matriz de Aquidauana, em homenagem à Nossa Senhora Imaculada Conceição

Aproveitei a manhã de sexta-feira 6 de dezembro de 2013, antes de seguir para Campo Grande – onde no sábado embarcaria para São Paulo e, finalmente, regressaria a Santos – para resolver algumas pendências. Retornei ao Cartório do 2º Ofício de Aquidauana, vasculhei outros registros de antepassados e, sempre contando com a paciência das funcionárias, resgatei o registro de falecimento de minha avó materna, Cecília Maria de Arruda, natural de Surubim, Pernambuco, com 78 anos, ocorrido em 10 de novembro de 1977, tendo como causa mortis “AVC, hipertensão arterial”, e o registro da morte do primogênito José Carneiro de Arruda, também de Surubim, com 21 anos, em 23 de maio de 1941, de “infecção gripal”. José, conforme citado no perfil do Professor Antonio Carneiro de Arruda, foi aquele filho que fugiu de casa quando a família, em janeiro de 1939, migrou de Surubim para Aquidauana. O motivo foi o amor pela namorada. Algum tempo depois, contudo, José a deixaria e iria de encontro à família. Alistou-se no Exército e, após uma marcha, contraiu a forte gripe que o levaria a morte. Foi um duro golpe para Cecília... Já possuía o registro do obtido de meu avô Antonio Carneiro de Arruda, que me fora enviado meses antes pela prima Deise de Arruda: natural de Limoneiro, Pernambuco, com 95 anos, em 24 de janeiro de 1989, de “parada cardio respiratória, embolia, arteriosclerose”.

Do Cartório, tomei o rumo da Câmara de Vereadores, e no caminho constatei que estava aberta a Igreja Matriz de Aquidauana, em homenagem à Nossa Senhora Imaculada Conceição. Entrei e apreciei o altar com a imagem da Santa e os belos vitrais, orei e agradeci a viagem, pois tinha certeza que tudo transcorria bem, e assim continuava.

Na Câmara, fui conhecer Raquel Régis, que trabalha no gabinete da presidência, com quem havia trocado e-mails, solicitando informações para o perfil de meu avô Antonio Carneiro de Arruda, que inseri no livro “Missão dos Professores”. Por e-mail, basicamente, fiz duas solicitações: o processo legislativo pelo qual meu avô havia sido agraciado com o título de cidadania de Aquidauana e o outro processo que homenageou minha avó Cecília Maria de Arruda com nome de rua. Minha pretensão era ler os fundamentos apresentados, pois acredito que tenham informações sobre a vida de cada um – considerando, recentemente, a dificuldade de obter informações com base na lembrança de familiares.

Sobre minha avó, Raquel me passou que a homenagem foi com base na lei municipal nº 807, de 5 de setembro de 1980. Não há justificativa – mas, muito provavelmente, foi fruto de articulação política de meu tio Heládio de Arruda, que foi vereador durante seguidas legislaturas e presidente da Câmara no período 1977-1979. Teria sido dele, inclusive, a autoria do título de cidadania concedido ao Professor Antonio Carneiro de Arruda. Porém, sobre este processo, apesar dos esforços de Raquel e de minha insistência, não consegui obter sequer a confirmação oficial. Digo confirmação, pois a concessão do referido título me foi relatada, inicialmente, pela tia Therezinha de Arruda, e reiterada apenas pela tia Nena, viúva do tio Heládio. E mais ninguém! Ou seja, considero importante a obtenção do processo que gerou a homenagem, até para confirmá-la, conhecer o autor, ter acesso à fundamentação, e saber, finalmente, em qual dia ela foi prestada – pois, afinal, deve ter tido cobertura e divulgação na Imprensa; quem sabe, até exista uma foto de meu avô trajando terno.

Indaguei pessoalmente a Raquel se havia resgatado tal processo e ela repetiu o que já me havia dito: toda a documentação antiga da Câmara está sendo arquivada e digitalizada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e por este motivo não foi possível fazer a pesquisa. Não desistirei. Um dia esse trabalho terá encerrado e, finalmente, terei certeza se efetivamente houve tal homenagem. Ah! Ao falar com meu tio Elias de Arruda, dois dias antes, na quarta-feira 4 de dezembro, em Miranda, ele não se lembrou exatamente do título de cidadania entregue ao pai. Admitiu, sim, que tal homenagem deve ter sido prestada. Afinal, seu irmão Heládio por vários anos atuou como vereador... Mas, o que tio Elias disse, com convicção, foi que, mediante articulação de Heládio, a Câmara prestou homenagem ao Professor Antonio Carneiro de Arruda quando da passagem de seu centenário de nascimento, ou seja, em 13 de maio de 1993. Não me lembrei de falar sobre isso com Raquel... Tudo bem, na próxima oportunidade a informarei.

Ao me receber, Raquel foi atenciosa e me levou ao plenário da Câmara, que preserva uma galeria de fotos dos ex-presidentes, na qual consta a imagem de meu tio Heládio de Arruda. Por tudo que tem feito, a presenteei com exemplar do livro in memoriam do meu avô “Missão dos Professores, poesias do Professor Carneiro”, cujos detalhes sobre sua criação estão em posts anteriores.

Como minha programação em Campo Grande seria à noite - um churrasco na casa da prima Rogéria, filha do primeiro casamento do finado tio Adonias -, resolvi dar mais uma caminhada pelas ruas de Aquidauana. E mais uma vez fui até a casa da tia Nena, que infelizmente não havia retornado de viagem. Tinha tanto a conversar com ela – que, com seu jeito guerreiro, sempre cuidou dos meus avós. E como é verdade a famosa frase de que atrás de um grande homem sempre há uma grande mulher, tia Nena é tudo isso e mais alguma coisa. Tio Heládio, embora saiba muito pouco sobre sua vida e trajetória política, é lembrado como político trabalhador, honesto, desses que faz falta ao país, tendo participado ativamente nas lutas pelo desenvolvimento de Aquidauana – um reconhecimento, aliás, que tia Nena ainda aguarda com mais ênfase das autoridades do município, conforme me confidenciou por telefone, meses antes, quando a alertei que viajaria a Mato Grosso do Sul em busca de informações sobre meu avô.

Voltei para o hotel Aquidauana Palace, onde estava hospedado desde terça-feira, tomei mais um banho – o calor estava implacável –, me despedi dos proprietários, que me fizeram sentir em casa, e segui para a rodoviária, onde encontrei minha prima Deise, para um adeus fraterno. Confessou sua vontade de ir comigo para Campo Grande e rever outros primos, mas não, não seria possível, devido a compromissos já assumidos.

O início de minha viagem de volta foi tranquila e as poucas horas que passaria em Campo Grande seriam de muitas emoções. O churrasco preparado pela prima Rogéria – a quem presenteei com exemplar do livro de nosso avô – foi excelente e, melhor que a farta mesa, tive a oportunidade de reencontrar também seu irmão, meu primo Roberto (Robson, o terceiro irmão, entre os filhos do tio Adonias com a primeira esposa, mora em Aquidauana, mas não o encontrei). Nas vezes em que, pequeno, fui a Aquidauana com meus pais, recordo que eram os primos mais chegados, demonstrando interesse em conversar, brincar, conhecer. Também tenho boas lembranças do tio Adonias. Também conheci os filhos de Rogéria, Leonardo e João, com sua esposa Priscila e a filha Rachael. Melhor ainda que tudo isso, foi ter conhecido pessoalmente minha prima Nádia de Arruda. Sim, eu não a conhecia pessoalmente. Filha do tio Elias, ela me pegou no hotel, em Campo Grande, e juntos fomos para a casa da Rogéria. Melhor ainda – se isso ainda é possível! -, é que essas duas primas, Nádia e Rogéria, embora muito próximas, morando na mesma cidade, foi a primeira vez que se viram. Ajudar neste encontro foi demais. Sem palavras!

Ah! Tia Rute, mãe de Nádia, sabendo que eu estava em Campo Grande e que o voo seria somente às 15 horas preparou um saboroso almoço no sábado. O encontro foi excelente, pois tive a oportunidade de conhecer mais familiares: tia Rute – sim, eu não a conhecia!!! –, seu outro filho, meu primo Helton, sua esposa Ana Paula, sua filha Bárbara, as filhas de Nádia, Juliana e Lívia, e dona Otília, irmã de tia Rute – cuja especialidade culinária é o “parafuso”, que dias depois Nádia me passou por e-mail...

Ao final, prima Nádia – a quem também presenteei com exemplar do livro “Missão dos Professores” – me levou ao aeroporto, mas antes paramos no Mercado Municipal de Campo Grande. Quantas lembranças. Algumas vezes estive ali com o tio Dorvalino, para comprar peixe fresco, mandioca, entre outros produtos de qualidade. Tio Dorvalino faleceu recentemente em Santos, com 97 anos, 72 anos dos quais viveu com tia Alice, irmã de minha mãe Maria Cecília, que mora em Santos e, sempre que possível, a visito. Nos boxes indicados pela prima Nádia, comprei queijos e, claro, rapaduras!

Adeus, Mato Grosso do Sul. Em breve, voltarei, para continuar minha busca...


Vitrais da Igreja de Nossa Senhora Imaculada Conceição


Meu tio Heládio de Arruda, na galeria de ex-presidentes (1977-1979) da Câmara de Vereadores de Aquidauana


Esquina do centro de Aquidauana: ruas Sete de Setembro e Estevão Alves Corrêa


Rodoviária de Aquidauana: despedida da prima Deise, filha dos tios David e Terezinha, falecidos


Encontro muito esperado entre primos: os manos Roberto e Rogéria, filhos dos tios Adonias, falecido, e Maria da Glória; Nádia, filha dos tios Elias e Rute; e eu


Churrascão na casa da prima Rogéria, pilotado pelo filho João


Meu primo João, filho de Rogéria, a esposa Priscila e a filha Rachael


Com o primo Leonardo, filho querido de Rogéria


Almoço familiar: tia Otília (irmã de tia Rute), prima Nádia, tia Rute, primo Helton, Juliana (filha de Nádia), Ana Paula (esposa de Helton), Lívia (filha de Nádia) e Bárbara (filha de Helton)


Nádia, eu, tia Rute e Helton: em casa!


Antes da despedida, com minha muito fofa prima Nádia: no Mercado Municipal de Campo Grande para comprar rapaduras e queijos, sabores que me acompanham desde criança...



Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 22h45
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