PEDRAS DO CAMINHO 800 km em 29 dias “Fui me encontrar comigo”

Travessia dos Pirineus: da França para a Espanha 
Pedras do Caminho: enfrentando dificuldades 
Bosque da Galícia: natureza fantástica 
Chegando a Cirauqui: belo “pueblo” da Província de Navarra 
Ermida de Eunate: construção dos Templários 
Caminho proporciona um encontro consigo mesmo 
Eu e o Castelo de Ponferrada: construção dos Templários 
Catedral de Santiago de Compostela: meta do peregrino O texto abaixo foi motivado pela oportunidade de publicar um relato da peregrinação no “Jornal da Orla”, de Santos, para a edição de 26 de julho, a convite dos amigos Bebê e Santana. Agradecido, mandei bala... Recém-concluído o Caminho de Santiago, ainda contabilizo as muitas conquistas por ter feito a peregrinação. E quanto mais somo, mais aspectos positivos agrego à experiência de caminhar durante 29 dias – de 6 de junho a 4 de julho passado – os 800 quilômetros que unem Saint Jean Pied de Port, na França, até a Catedral de Santiago de Compostela, na Espanha. Se você está chegando ao blog neste momento, uma dica para acompanhar a evolução da caminhada (claro, se tiver disposição...) é fazer a leitura cronológica. Para isso, vá ao pé da página principal em www.blogcomcebola.zip.net, clique em “ver mensagens anteriores” e depois clique na última postagem de maio (31/05 a 06/06) – e viaje comigo. Se tiver muita disposição, leia as anteriores, que também têm a ver com a peregrinação... As fotos que acompanham esse post foram disponibilizadas ao JO. Chamado Caminho Francês, é o mais tradicional e o mais organizado entre os outros trajetos que levam a Santiago, cruzando a Espanha de leste a oeste – o que muito facilita quem se arrisca numa primeira peregrinação. Digo primeira porque uma das conquistas é ter a vontade e disposição de fazer a segunda, a terceira... O ideal, aliás, seria retornar já em 2010, ano jubilar, quando o dia do apóstolo Santiago o Maior, 25 de julho, cai num domingo. Cumprir a rota jacobea em ano santo é, desde 1119, por determinação do papa Calixto II, motivo de indulgência plenária, ou seja, perdão a todos os pecados. Eu, que não tive esse foco ao dar o primeiro passo, desde já agradeço a consideração no dia do juízo final... Fui ao Caminho me encontrar comigo. Fui ter com Santiago. Fui sentir a solidariedade dos hospitaleiros. Fui saber a motivação de peregrinos de todo o mundo. Fui pisar em calçadas de pedra construídas pelos romanos, ou antes. Fui conhecer cidades medievais, em especial as construções dos cavaleiros templários. Fui provar a gastronomia de várias regiões, de França e Espanha. Fiz tudo isso e muito mais, até sem saber. Como jornalista, tive a oportunidade de desenvolver um projeto interessante de comunicação, o blogcomcebola (www.blogcomcebola.zip.net), e compartilhar algumas das experiências que ia vivenciando, por meio de textos e fotos. Muito do que foi o meu Caminho está na internet. O resultado foi surpreendente. Ao mesmo tempo em que torrava energia numa caminhada diária de 25 quilômetros (ou mais, pois em 26 de junho, por exemplo, o percurso somou 39,9 quilômetros, entre Santa Catalina de Somoza até Molinaseca!), ia captando uma energia positiva incrível de amigos e leitores, para os quais serei eternamente grato: por meio de mensagens no blog e e-mails recebi ânimo extra, que muito me ajudou na superação das dificuldades. Mais que isso – ou tanto quanto – é que o olhar crítico de jornalista me permitiu apurar e alertar sobre o desvirtuamento do “espírito” do Caminho. Ou seja, como minha peregrinação coincidiu com o início das férias de Verão na Europa assisti a invasão de turistas na infraestrutura criada para abrigar e auxiliar os peregrinos. Vi albergue municipal lotado de turista, atraído pela taxa de 3 euros, rejeitar peregrino – que foi obrigado a dormir em local improvisado ou pagar 20 euros num “hostal” ou caminhar até o próximo “pueblo”. Por isso, como dica de viagem, se um dia você pretender fazer o Caminho, escolha o final de maio/junho ou final de agosto/setembro, isto é, antes ou após as férias de Verão. A temperatura não estará tão alta (no inverno, nem pensar!), não haverá tantos turistas e, possivelmente, os preços estarão mais dentro da realidade. Outras dicas podem ser obtidas na internet, no site www.caminodesantiago.consumer.es, e junto à regional de Santos da Associação Amigos do Caminho de Santiago (AACS), especialmente agora nos eventos da 3ª Semana de Santiago. Prometi a mim que não incentivarei quem quer que seja a fazer o Caminho. Esta é uma decisão extremamente pessoal e quem decide deve arcar com todas as consequências. Contudo, não me furtarei a dar o meu irrestrito apoio e auxiliar de todas as formas que puder para que a peregrinação seja coroada com o mesmo ou melhor êxito que a minha. Fico à disposição no e-mail luizferraz@uol.com.br
Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 16h58
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