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PEDRAS DO CAMINHO Você está com medo, peregrino?

Rota Passos dos Jesuítas, de Itanhaém a Ubatuba: assalto a peregrinos! Estaria mentindo se não admitisse que fiquei abalado, e muito provavelmente ainda estou, desde que foi noticiado, no último dia 2 de maio, que na véspera um grupo de peregrinos havia sido assaltado na cidade de Guarujá, ao fazer a rota Passos dos Jesuítas, de Itanhaém a Ubatuba, recentemente lançada pelo governo do Estado de São Paulo, e que visa divulgar o caminho que era feito pelos membros da Companhia de Jesus, no século XVI, tendo José de Anchieta como um dos mais notórios, na tarefa de catequisar os índios do Litoral Paulista. Fiquei abalado sim, apesar de que, para mim, o crime era anunciado, uma questão de tempo, considerando os índices de violência na região e a fragilidade de quem se dispõe a fazer a peregrinação... Aliás, num briefing para eventual entrevista de tevê que serviria para reforçar a divulgação da rota, fui logo avisando: “Posso falar sobre o Caminho de Santiago, sem problemas. Mas, sobre este projeto, com certeza, hoje não ousaria fazer peregrinação pelo Litoral de São Paulo”. Um ou dois dias depois, sob alegação de problemas na agenda etc. e tal, coincidência ou não, a entrevista foi cancelada... Minha preocupação, contudo, já havia deixado clara a vários amigos peregrinos, que recordaram desse detalhe quando divulguei o link www.tvtribuna.com/videos/?video=15239&idcat=16, de acesso ao noticiário fatídico. Caso isolado? Pode ser que sim. Pelo menos, tendo peregrinos como vítimas e com registro policial, teria sido o primeiro. Mas, com absoluta certeza, foram muitos os episódios de ataques contra pessoas na região, especialmente atletas que utilizam as estradas do Litoral para a prática esportiva – seja por meio de bicicleta ou a pé. Pois não é que, refletindo sobre tais estatísticas, uma semana depois, ou dias atrás, um ultramaratonista (atleta que disputa provas com distância acima dos 42.195 km de uma maratona tradicional...), que buscava a quebra de um recorde de resistência e era acompanhado por um ciclista, foi alvo de assaltantes na cidade de Praia Grande, incluída na rota de peregrinação!!! Meu abalo – e insisto em não dizer medo, pois, assim como não tenho medo, também não sou burro – é compreensível, nesses dias que antecedem meu retorno ao Caminho de Santiago de Compostela, ainda que não me perturbe relato de assalto a peregrinos na tradicional rota, e não tenha... me abalado com essa possibilidade nas duas vezes em que fiz a peregrinação, em 2009, pelo Caminho Francês, e em 2010, pelo Português. Este abalo não pode, e não vai, provocar em mim uma onda de intranquilidade. Não pretendo ter o extremo cuidado, como cheguei a constatar com este ou aquele peregrino (seja por questão de segurança ou superstição, não me interessa!), de encobrir qualquer informação sobre eventual plano de peregrinação. Sim, estou me preparando e vou fazer o Caminho de Santiago neste ano... Quando mesmo?!?!? Pois é, agora tenho algumas dúvidas: executarei o plano inicialmente traçado? Irei só ou acompanhado? Afinal, qual dos caminhos me levará a Santiago de Compostela: Francês, Português, Aragonês, Do Norte, Inglês, Salvador, Da Plata...? A partir de onde? Iniciarei em qual dia? Qual horário? Até quando?!?!? Bem, confio no lapso do tempo para retomar minha costumeira tranquilidade...
Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 15h23
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PEDRAS DO CAMINHO "Eu sou tu", não esqueça! Afinal, quem voltarei?

Cruz de Ferro: 1.531 metros de altura (segundo o guia Rother), o ponto mais alto do Caminho Francês? Pela enésima vez, repito que sou apenas um peregrino. Igual a milhões de outros que, ao longo dos últimos anos, décadas, séculos, percorreram, no meu caso a pé e por duas vezes, o Caminho de Santiago de Compostela. Ouso ainda dizer que minha fé há de ser semelhante, nem maior ou menor, a daqueles que fizeram a rota jacobea de bicicleta ou a cavalo – as outras duas formas de se obter a Compostelana. E acrescento que ânimo similar há de ter os que foram de carro, ônibus, trem ou avião. Afinal, se para alguns ortodoxos importa a ritualística exata para definir quem é ou não peregrino e, assim, presumir determinada característica especial, para mim, nos últimos anos, isso é o que menos importa para dimensionar a força interior de se acreditar ou não no sentido supremo da vida, seja pela vontade de superar os próprios limites, ou se encontrar consigo, ou por religiosidade... E ainda os que não acreditam e garantem que nunca farão o Caminho, que sejam felizes com a sua verdade, afinal, cada um desses é também uma pessoa... Se sou apenas um peregrino, a partir de agora equivalente a uma pessoa, sou exatamente isso, mais uma pessoa. Nem melhor, nem pior que as demais pessoas. Ou, ainda, tão melhor ou pior quanto as demais pessoas. Isto é, com todas ou nenhuma das virtudes, ou todos ou nenhum dos vícios, de todas as pessoas. E, da mesma forma que uma pessoa, carrego a aparente e absoluta normalidade, ou anormalidade, de uma pessoa, como tantas outras que são possíveis de encontrar nos diferentes países do planeta, nos mais distantes (?)... ora, a partir de onde?... Aqui, me desculpe, não há que se falar em distância! Então, normal, ou anormal, a partir de tantas diferenças culturais e antropológicas; tão normal, ou anormal, então, pela sua semelhança. Sou, enfim, como todos, o que me obriga a recordar uma famosa expressão, reiterada num livro que li há muitos, muitos anos, e que me marcou, de que “eu sou tu”. Assim, apesar das prováveis e possíveis mudanças que se incorporam à conduta de todo aquele que se dispõe a fazer o Caminho a Santiago, não é possível exigir de quem o faça que aja desta ou daquela forma, nesta ou naquela situação, como se fosse, enfim, uma pessoa diferente, que não é; um iluminado, que não é; um cidadão que haverá de ser sempre modelo de generosidade e paciência; virtuoso nos atos e pensamentos, absolutamente ético e moderado, na concepção aristotélica, em busca incessante pela felicidade. Ah! não apenas a sua felicidade, mas a de todos, indistintamente. Tipo alguém “purificado”, como se a condição de peregrino, e aí peregrino lato sensu, fosse suficiente para torná-lo diferente, uma transformação que, indistintamente, a peregrinação não tem o condão de proporcionar. Ou tem? Pelo menos, não comigo. Com tranquilidade e boa dose de humildade, procuro evitar esse tipo de leitura, rechaçando alusões nesse sentido – chegando até, a contrario sensu, não me atrever a censurar quem utiliza a peregrinação para se diferenciar, seja ao admitir que percorreu o Caminho orando o terço e dormindo apenas em albergues religiosos... ou se gabar de ter participado de farras, regadas a muito vinho e pulpo, após um dia extenuante de peregrinação. Certo ou errado, no caso de um ou de outro, cada qual faz o seu Caminho! Afinal, por mais que eu tenha mudado, ao fazer o Caminho do meu jeito (e isso deixei expresso aqui, logo após completar a peregrinação pelo Caminho Francês, em julho de 2009), continuo sendo eu mesmo – ainda que meu nome tenha sido alterado na Compostelana para Aloisium Carolum Ferraz; o que, aliás, mudou pela segunda vez, para Ludovicum Carolum Ferraz, ao concluir a peregrinação pelo Caminho Português, em julho de 2010. Sim, 2010, Ano Santo... Minhas reflexões e os questionamentos a mim lançados, sejam diretamente ou de forma velada, eis que nem sempre ditos, se alternam como numa gangorra, e me inquietam, nesses dias em que me preparo e penso na peregrinação pelo Caminho Aragonês, em julho próximo. Afinal, quem voltarei? 
Caminho Francês, em 2009: atravessando os Pirineus... 
Caminho Francês: foto tirada pela peregrina alemã Jutta... 
Caminho Português, em 2010: foto tirada pelo peregrino austríaco Helmut... 
Em Santiago de Compostela, final do Caminho Português: foto tirada por algum peregrino...
Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 16h09
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PEDRAS DO CAMINHO Parece a primeira vez...

Minhas coisas já me esperam no Caminho? Em Areal? Para quem me conhece, e nem precisa conhecer muito, já não é mais possível esconder minha ansiedade para iniciar a peregrinação pelo Caminho Aragonês, em junho, no final da Primavera europeia. Evidente que nos últimos dias... ou melhor, nos dias mais recentes... continuo procurando aparentar absoluto equilíbrio, sem exagerar, é claro; mas, vira e mexe, me flagro em demorado silêncio, quase paralisado, já em viagem, ou buscando informações sobre mais detalhes do Caminho, avaliando as sugestões de guias, sites e peregrinos que já trilharam o Aragonês, enfim, fazendo cálculos, ajeitando aqui e ali... Neste exercício contínuo, as dúvidas, felizmente, vão sendo dissipadas; as providências, antecipadas; e a ansiedade, ah! a ansiedade, arrefecida... Nesta semana, após vários dias de pesquisa, defini o melhor caminho até Somport, o ponto emblemático por onde iniciarei a peregrinação, acreditando que consegui amenizar minhas principais necessidades, pelo menos as que consegui prever. Assim, e também desprezando uma certa angústia, adquiri bilhetes da Air France, para Paris, com conexão para Lourdes, de onde seguirei para Somport, com retorno de Madri. Disse angústia porque acompanhei em 2009, dias antes de embarcar para fazer o Caminho Francês – naquele ano, via TAP –, a queda, no Oceano Atlântico, na passagem de 31 de maio para 1º de junho, do Airbus A330-203, voo 447 da Air France, entre Rio de Janeiro e Paris, que matou 228 pessoas... Antes de formalizar a compra, refiz o plano de viagem, selando a data de embarque e chegada, considerando os dias que negociei com minha Sandra, esposa e sócia, desde os dias no Santuário de Lourdes, um instante para circular Somport, a peregrinação de Somport a Puente la Reina, o reencontro com Santiago de Compostela, a esticada até Santander, para rever amigos, e momentos finais em Madri, antes de voltar ao Brasil... Não, não se trata de um roteiro turístico. Essa ideia não me é confortável; afinal estarei só e isto faz uma grande diferença. De posse do e-ticket, preenchi formulário com dados pessoais, depositei as despesas postais e solicitei à Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago de Compostela, com sede na capital paulista, a emissão de minha credencial de peregrino, o que deve chegar dentro de alguns dias. Aproveitei também para contatar o albergue de Somport e anunciar que pretendo passar uma noite lá – por enquanto, sem retorno... Mas isso são detalhes e, fora os dias de peregrinação, posso alterar todo o plano. Nos próximos dias, em meio aos treinamentos físicos para fortalecer músculos e suportar a caminhada e o peso da mochila, continuarei atento e outros encaminhamentos e necessidades que faltam ser supridas; e, claro, sempre aguardando dicas bem-vindas dos amigos peregrinos que tenham disposição de colaborar. Sim, já realizei duas peregrinações a Santiago de Compostela: em 2009, os 800 quilômetros do Caminho Francês, desde Saint Jean Pied de Port, e em 2010, os 240 quilômetros do Português, a partir de Oporto; porém, apesar da relativa experiência, parece – e acho que sempre parecerá – a primeira vez. 
Ou estariam no varal do albergue de Roncesvalles? 
Ou no varal do albergue de Reliegos? 
Quem sabe, numa praça de Vilarinho? Não, ainda não...
Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 17h07
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PEDRAS DO CAMINHO O melhor Caminho até Somport

Em 2009, em Saint Jean Pied de Port, fiquei duas noites na casa de Maria Camino: momento de descanso e reflexão, antes de peregrinar o Caminho Francês... Estação de esqui junto ao Parque Nacional dos Pirineus, na França, fronteira com a Espanha, Somport há muito tempo é estratégica na circulação de pessoas entre os dois países, desde tropas militares, comerciantes, a peregrinos. Há evidências, citadas em guias e coladas na Internet, que vândalos e visigodos invasores utilizaram a passagem, da França para a Espanha, nos séculos IV d.C e V d.C. À região também se integra uma estrada romana, conhecida como Via Tolosana, ou Caminho de Arles, que foi usada por muçulmanos invasores no século VIII, na tentativa frustrada para conquistar a França... Outras muitas histórias espetaculares envolvem o lugar, que estimulam ainda mais a moderna peregrinação pelo Caminho Aragonês – além, é claro, das motivações de cada um. É emblemático iniciar o Caminho Aragonês de Somport, mas a rota de peregrinação a Santiago de Compostela pode fazer da estação apenas a travessia dos Pirineus, assim como Saint Jean Pied de Port, que marca o início do Caminho Francês. Ambas são ramificações das rotas que vêm de outros pontos da Europa. Na França, por exemplo, 800 quilômetros para o interior está Le Puy-em-Velay, onde milhares de peregrinos iniciam o Caminho, passando por Toulosse e Lourdes, até Oloron-Sainte-Marie. Neste ponto, é possível fazer a opção: à direita, via Saint Jean Pied de Port; ou à esquerda, por Somport! Em 2009, ao iniciar o Caminho Francês em Saint Jean Pied de Port conheci peregrinos que vinham de Le Puy com uma disposição impressionante. Eu estava iniciando minha peregrinação de 800 quilômetros e eles já haviam caminhado 800 quilômetros, projetando outros 800 quilômetros pela frente. Pessoas simples, simplesmente peregrinos, pela fé em Santiago, pela necessidade de superar limites, por... Um dia, quem sabe, começo em Le Puy. Meu Caminho Aragonês terá início em Somport e desde que tomei esta decisão penso a melhor maneira de me posicionar para a peregrinação. Preocupação semelhante tive em 2009, quando, para chegar em Saint Jean Pied de Port, tomei voo de São Paulo até Lisboa, depois outro voo até Pamplona, em seguida ônibus até Roncesvalles e, finalmente, uma van até Saint Jean Pied de Port. Para descansar, refletir, me preparar, fiquei duas noites em Saint Jean e curti um pouco a cidadela medieval francesa. Conheci moradores e empresários, voluntários da Les Amis Du Chemin de Saint-Jacques Pyrénées-Atlantiques, peregrinos... 
... em Saint Jean Pied de Port, momento na Igreja de Nossa Senhora 
Em 2010, duas noites em Oporto antes de peregrinar o Caminho Português: tempo para conhecer pontos pitorescos, como a foz do Rio Douro... 
... e a Igreja de Nossa Senhora da Lapa, que guarda o coração de D. Pedro, I do Brazil, e IV de Portugal Em 2010, ao peregrinar o Caminho Português desde Oporto, não houve tanta dificuldade, embora tenha chegado por Madri, por conta de ter sido presenteado pelo amigo, comandante Câmara, com o bilhete aéreo São Paulo até Madri. Da capital espanhola fui de avião para o Oporto, onde fiquei duas noites, com tempo para pensar e conhecer a bela cidade, sua gente, seus bondes, a foz do Rio Douro, pratos típicos, como as Tripas ao Porto, regada por um bom vinho verde da região... Desta vez, como pesquisei nos últimos dias, inclusive com a ajuda de peregrinos que já fizeram o Caminho Aragonês, entre os quais Lisbôa e Synésio, não é simples chegar a Somport. Uma boa opção me foi oferecida pelo amigo espanhol Soto Conde: de Madri pegar ônibus para Irun, no Norte da Espanha, e depois ir de trem de alta velocidade, o TGV, para Lourdes. Sim, Lourdes, pois em vez de aproveitar a estrutura de Somport, resolvi que será na cidade abençoada que buscarei momentos de paz e reflexão, e me prepararei para a travessia dos Pirineus. Lá, ficarei duas noites, me dirigindo finalmente a Somport, para iniciar minha peregrinação pelo Caminho Aragonês até Puente la Reina. Contudo, em vez das seis etapas sugeridas pelos guias, conforme citei na postagem anterior, estou programando realizá-lo em 11 dias, a partir das etapas abaixo – mas, claro, minhas condições, as condições do Caminho, Santiago, enfim, serão responsáveis por confirmar ou não meus planos. Somport - Villanúa – 15,9 km Villanúa - Jaca – 15,7 km (31,6 km) Jaca - Santa Cilia de Jaca – 14,9 km (46,5 km) Santa Cilia de Jaca - Arrés – 9,6 km (56,1 km) Arrés - Artieda – 18,3 km (74,4 km) Artieda - Ruesta – 10,4 km (84,8 km) Ruesta - Sangüesa – 22,1 km (106,9 km) Sangüesa - Izco – 18,4 km (125,3 km) Izco - Monreal – 8,6 km (133,9 km) Monreal - Tiebas – 13,5 km (147,5 km) Tiebas - Puente la Reina – 17,7 km (165,1 km)
Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 18h45
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PEDRAS DO CAMINHO Sombras... que me perseguem. 
Eu, por eu mesmo, no Caminho Francês, em 2009 Neste ano retomo o foco no Caminho de Santiago, a rota de peregrinação a Santiago de Compostela, na Espanha. Vou peregrinar em junho o Caminho Aragonês, desde Somport até Puente la Reina, quando ele se encontra com o Caminho Francês, que vem de Saint Jean Pied de Port. Não seguirei a pé até Santiago de Compostela, pela falta de tempo e, especialmente, pouca ousadia em suspender as atividades profissionais além de 15 ou 20 dias – como me atrevi em 2009, quando peregrinei os 800 quilômetros do Caminho Francês, desde Saint Jean Pied de Port até Santiago de Compostela, em 29 dias. Ousadia, aliás, que também me faltou em 2010, quando optei peregrinar o Caminho Português, mas apenas 240 quilômetros, de Oporto a Santiago, em 10 dias. Se a primeira vez me marcou, pelo simples fato de ser a primeira, e a segunda, por ter sido realizada em Ano Santo – o próximo só em 2021! –, a terceira completa um ciclo, ao carregar a simbologia do número 3, que projeta perfeição, união, equilíbrio. Nesta fase dos preparativos coleciono dúvidas sobre a estratégia para peregrinar os cerca de 170 quilômetros do Caminho Aragonês, que atravessa os Pirineus numa região belíssima, tanto pela paisagem, quanto pelo rico patrimônio arquitetônico religioso, destacando o Monastério de San Juan de la Peña. Uma dessas dúvidas, bem relevante, é se devo aceitar a sugestão dos dois guias em que me baseio, do El País/Aguilar e da Rother, que recomendam o Caminho em 6 etapas – e desde já observo divergências na extensão. Enquanto El País/Aguilar afirma que o trecho tem 165,1 quilômetros, Rother garante que é maior em 11,1 quilômetros, ou seja, possui exatos 176,2 quilômetros. Eles também sugerem pontos de parada diferentes, aliás, outra de minhas dúvidas... Em ambos, as etapas variam de 18,3 quilômetros (como entre Arrés e Artieda, sugerida por El País/Aguilar) a 33,3 quilômetros (de Somport a Jaca, segundo Rother, pois El País/Aguilar informa que tal etapa, a primeira, tem na verdade 31,6 quilômetros...). Reconheço o pragmatismo e a seriedade dos dois guias, que procuram proporcionar ao peregrino, acima de tudo, o espírito no Caminho; e, recorrendo a minha limitada experiência em duas peregrinações a Santiago de Compostela, compartilho esta visão com eles. Afinal, a busca do reencontro consigo mesmo, a meditação, a contemplação da natureza e de construções singulares, a religiosidade das pessoas, a magia em trocar energia com peregrinos de várias partes do mundo, em terras que há séculos atraem essa demonstração de fé, são alguns dos apelos mais fascinantes do Caminho e o verdadeiro peregrino não poder perdê-los de vista. O que não é pouco! Foi com esta disposição, aliás, que enfrentei os Caminhos Francês e Português, muitas vezes rindo, outras chorando, fazendo uma média de 25 a 30 quilômetros por dia, o correspondente a cerca de 7 horas de caminhada diária; quanto sofrimento, quanta alegria... Por isso, não pretendo me afastar desta perspectiva, apesar das sombras... que me perseguem. As 6 etapas do Caminho Aragonês, sugeridas por El País/Aguilar, totalizam 165,1 quilômetros: Somport – Jaca: 31,6 km Jaca – Arrés: 24,5 km Arrés – Artieda: 18,3 km Artieda – Sangüesa: 32,5 km Sangüesa – Monreal: 27 km Monreal – Puente la Reina: 31,2 km Já as 6 etapas do Caminho Aragonês, sugeridas por Rother, somam 176,2 quilômetros, uma diferença de 11,1 quilômetros: Somport – Jaca: 33,3 km Jaca – Arrés: 26,7 km Arrés – Ruesta: 30 km Ruesta – Sangüesa: 22,6 km Sangüesa – Monreal: 30 km Monreal – Obanos: 31, 6 km, exigindo mais 2 km até Puente la Reina.
Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 14h52
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PEDRAS DO CAMINHO E o Sol brilhou em Machu Picchu! 
Machu Picchu e o encontro com o Sol Não é possível afiançar, de forma categórica, que tenha sido bom ou mal negócio trocar Machu Picchu, na maravilha de seus 100 anos, em companhia da mulher amada, pelo Caminho Aragonês, ainda que apenas os 160 quilômetros iniciais, entre Somport e Puente La Reina, absolutamente solitário; friso absolutamente, pois ficou e está absolutamente fora de cogitação peregrinar o Caminho de Santiago em companhia de minha mulher! Esta, pelo menos, era a convicção dela nos meses que antecederam a decisão de modificar o roteiro das férias de junho; e permanece após – sem qualquer perspectiva de modificar tal ânimo, muito pelo contrário. Aliás, sorte ou azar? Também não me atrevo a afirmar, de forma peremptória. Afinal, com a relativa experiência de ter feito o Caminho por duas vezes – primeiro, o Francês, a partir de Saint Jean Pied de Port, 800 km em 29 dias, em 2009; segundo, o Português, desde Oporto, 240 km em 10 dias, em 2010 (Ano Santo, diga-se de passagem) – e com, o ainda mais relativo conhecimento sobre mim, é, como seria, um desprendimento, uma entrega muito grande, superior a minha capacidade, ajustar meu tempo, meus anseios, minhas necessidades, seja tudo o que for, a de outra pessoa, ainda que tal pessoa seja, por assim dizer, minha outra metade. Não, não quero acreditar, ou pensar na hipótese..., pois não vai dar certo. Ou algo terrível teria que acontecer para dar – e não sei exatamente o que poderia ser. É por isso que sempre lembro e, no meu íntimo, tenho um sentimento de doce inveja pelo peregrino que conheci em 2009 em Saint Jean, e depois o encontraria em alguns pontos do Caminho, especialmente em Zubiri, onde ficamos no mesmo albergue – ah! e também em Pamplona, no mesmo albergue (insuportável!)... – que estava fazendo o Caminho pela sexta vez, sendo a terceira com a esposa, e o havia iniciado em Le Puy... Se acha pouco, confira no mapa quantas centenas de quilômetros a dupla já vinha caminhando junta. Está certo que a esposa pouco falava e se divertia cozinhando para ele nos albergues... A viagem para Machu Picchu foi espetacular. Demos sorte na contratação da operadora, que trabalha, talvez, com o melhor receptivo do Peru, e tudo saiu perfeito – é claro que a escolha não foi capaz de parar a incessante garoa de Lima, ou melhorar seu trânsito..., ou ainda amenizar os efeitos da altitude em Arequipa e Puno, especialmente, ou manter o Sol brilhante em todo o passeio a Machu Pichu... Detalhes, enfim. Para marcar a coincidência sobre os meus, os teus, os nossos demônios (lembra da primeira ou segunda postagem?!?!?!), embora o passeio do nosso grupo pelas ruínas de Machu Picchu tenha iniciado com chuva, o que obrigou todos a comprar capas, cada uma a 5 soles; e terminado, embora com o tempo seco, mas com neblina e sem sol; não me conformava em ter que retornar ao Brasil sem uma boa foto da cidade perdida dos Incas. Tanto que, acreditando em... como sempre acredito, avisei ao guia que não retornaria com o grupo; ou seja, não tomaria o mesmo ônibus de volta, pela estrada que serpenteia Machu Picchu, até a estação de trem que nos levaria novamente a Cusco. Ficaria mais algum tempo ali. Tempo de ir aos “serviços”, tomar um café forte e subir outra vez até o ponto inicial do roteiro a pé pela cidade perdida. Uma boa caminhada; mas quase nada para quem estava com a minha disposição. Digo minha, porque fui só. E só, ao chegar, pude apreciar uma magnífica paisagem e ver a cidadela sem nuvens e iluminada pelo Sol – o precioso Deus daquela civilização que continua tendo muito, mas muito mesmo, a nos ensinar. Abaixo, fotos de Machu Picchu e pontos do Peru que merecem ser visitados. Para ver mais, acesse minha página no Flickr em www.flickr.com/photos/lcferraz e leia o artigo na página 12, edição de agosto, do Jornal Perspectiva, que também pode ser vista no site www.jornalperspectiva.com.br Aviso aos navegantes: não desisti do Caminho Aragonês... Nem deste blog, cujos recursos são pré-históricos, no que se refere à edição, de fotos, textos etc. Mas, como desde o início optei por ele, e considero seu conteúdo rico por abrigar textos e fotos dos meus dois Caminhos a Santiago de Compostela, continuarei atualizando-o – fundamentalmente quando se tratar de questões relativas ao Santiago que caminha comigo. 
Plaza Mayor: centro atual do poder, em Lima 
Arequipa: vigiada pelos vulcões Chachani, Misti e Pichu Pichu 
San Lázaro, Arequipa: vulcões ao fundo 
Monastério de Santa Catalina, Arequipa 
Puno: frio e o belo povo peruano 
Lago Titicaca, em Puno 
Sillustani: sepulturas pré-incas, em Puno, junto ao Titicaca 
Colunas do templo Wiracocha, em Racchi 
Sacsayhuaman, a Fortaleza Inca (olha o tamanho da pedra!!!): local de adoração ao Deus Sol 
Inca para turistas... 
Trem Hiram Bingham no canyon do Rio Urubamba: subida à cidadela perdida 
Em Machu Picchu, capa para se proteger da chuva... 
Nevoeiro na cidade Inca... 
... o que só aumenta o clima de mistério 
Voltei para o encontro com o Sol
Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 14h48
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PEDRAS DO CAMINHO Meu Caminho será outro...
Machu Picchu: "O sol ilumine sempre teu coração!" Santiago que me perdoe e meus amigos e leitores que me desculpem, mas desde já me penitencio pela decisão de não fazer mais este ano o Caminho Aragonês. Queria estar lá em junho próximo, como cheguei a cogitar na mais recente postagem... e como queria – nem tanto para estrear minha novíssima Timberland (que recebi graciosamente do fabricante, após devolver a que me acompanhou pelos Caminhos Francês e Português, neste último tendo o solado descolado, o que me periclitou bastante e me deixou com os pés encharcados e repletos de bolhas... muitas bolhas... naqueles dias de chuva e lama pela Labruja...). E queria, como quero, porque continua e continuará sendo meu sonho atravessar aquele trecho dos Pirineus, por tudo que li e ouvi de outros peregrinos que venceram o desafio. Voltarei, sim, mas não ouso dizer, agora ou mais tarde, quando, até para não criar falsas expectativas aos amigos e, porque não, ao Apóstolo. Nada, absolutamente nada contra o fato de retornar pelo terceiro ano consecutivo à rota de peregrinação ao santuário de Santiago de Compostela. Estou preparado, física e psicologicamente, e tenho certeza que sempre voltarei, pois, como já me referi, para você que está chegando agora, peregrinei o Caminho Francês, em 2009 (800 km em 29 dias), e o Caminho Português, em 2010 (240 km em 10 dias), que foi Ano Santo e o próximo só em 2021... Aliás, desde já esclareço que minha decisão, que não foi apenas minha, mas levou em consideração as ponderações de minha Sandra, que muito gostaria que me acompanhasse nesta jornada... e apenas isso, pois minha deliberação não teve nada a ver com o fato de 2011, no calendário santiaguense, não proporcionar qualquer benesse papal, entre tantas que são possíveis considerar, tal como a indulgência plenária conquistada em 2010, quando a peregrinação pelo Caminho Português ocorreu em Ano Santo... Mas, cabe aqui um parênteses, pois embora a peregrinação e o perdão aos pecados tenham tido, como têm, consequências pessoais e intransferíveis, ontem, apenas ontem, fiquei sabendo que um amigo, ao me levar encomenda em minha casa – uma encomenda referente ao Caminho Português, que iria fazer dias após, portanto só se dirigiu a minha casa por conta da peregrinação! – encontrou uma mulher que se tornou sua namorada, após ter sofrido a perda da esposa, vítima de câncer, com quem viveu por 25 anos. Coincidência? Talvez, coincidência. Mas, são tantas as coincidências que permeiam o Caminho de Santiago, que, na maioria das vezes, não, não são apenas coincidências... Portanto, reitero ao leitor mais apressado que o perdão aos meus pecados, neste momento, cerca de 10 meses após cumprir o ritual que me garantiu a graça, não surtiria efeito ou teria tanta necessidade; não que não os tenha praticado nesse período, eis que pecar, disto já estou convencido, faz parte da condição humana e, se fosse este o caso, teria que me transferir para um convento – não que num lapso de tempo, e tive muitos durante a última peregrinação, não tenha pensado na eventual possibilidade. E não também que seja um pecador contumaz... Definitivamente, este não é o caso! O que quero informar aos amigos e, claro, a ele também (que, aliás, e naturalmente, ficou sabendo antes...), é que, transferindo para outra data o Caminho Aragonês, ainda que, como disse, apenas os 160 km entre Somport e Puente La Reina, e considerando prós e contras, decidi viajar, ou melhor, decidimos, eis que irei junto com minha Sandra, em julho, para o Peru. A escolha do destino não é puro acaso. Talvez, coincidência... Já havia pensado em fazer a trilha pela floresta até a Cidade Perdida dos Incas, Machu Picchu, até o momento em que entendi que minha paixão pela caminhada não se refere, tão-somente, a enfrentar aventuras, daí o meu envolvimento com o Caminho de Santiago. Desprezando, assim, esta característica de uma viagem a Machu Picchu, achamos melhor contratar um roteiro turístico, por meio de uma operadora especializada, com início em Lima e, em 9 dias, circular por Arequipa, Puno, Cusco e, finalmente, Machu Picchu. O momento, uau, não poderia ser melhor – especialmente para jornalistas, como nós, sempre em busca da notícia, da informação de qualidade, do furo jornalístico, ainda que estejamos viajando a passeio. Neste ano, exatamente em julho, estão sendo comemorados, sim, comemorados, os 100 anos de descoberta de Machu Picchu, embora, por outro ângulo, marque o início da pilhagem de seus tesouros pelo eventual historiador norte-americano Hiram Bingham. Show!!! Os festejos já foram marcados, neste mês, pela devolução de parte, uma ínfima parte do tesouro (lote com 363 peças) saqueado por Bingham e que, muito provavelmente, apenas uma parte ficou esses anos todos na Universidade de Yale, nos EUA. A promessa é que até o final de 2012 Yale devolverá as 46.332 peças subtraídas de Machu Picchu... Uma eventual explicação, qualquer que seja, para manter tal expropriação por tanto tempo não tem justificativa. Resumindo, pelo que apurei em vários textos que leio, procurando me atualizar e, cada vez mais, me apaixonando, é que Machu Picchu localiza-se a 2.400 metros de altitude. Sua construção teria sido no século XV e representa um desafio de engenharia para a época pré-colombiana. Para o povo Inca teria o significado de um tributo à vida, proporcionando conexão entre a terra, nós, os humanos, e os deuses. Outra teoria afirma que teria o objetivo de servir para o controle da economia das regiões conquistadas, além de refugiar o soberano Inca e seu séquito. Teorias, teorias... O que está registrado é que hoje apenas 30% da cidade, elevada à categoria de Patrimônio Mundial da Unesco, é de construção original, ou seja, ruínas, tendo sido o restante reconstruído, o que seria fácil reconhecer pelo encaixe entre as pedras, pois a construção original é formada por pedras maiores, com pouco espaço nos encaixes. Vamos conferir e fotografar. Agora, em vez de desejar e ouvir “Buen Camino, Peregrino!”, digo e espero ouvir: "O sol ilumine sempre teu coração!"
Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 16h43
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PEDRAS DO CAMINHO Em 2011, peregrinarei...

Puerto de Somport, na França: Caminho Aragonês
A mancha roxa agora se limita a apenas a metade da unha do dedão do pé esquerdo. A carrego nos últimos seis meses, como um troféu por peregrinar os 240 km do Caminho Português, em junho de 2010, neste bendito Ano Santo que se encerra – o próximo só em 2021. (Pra quem está chegando ao blog neste momento, basta ver as postagens do período, com relatos e fotos desde o Oporto, ou o Porto, até a chegada emocionante em Santiago de Compostela, 10 dias depois.) A mancha roxa vai subindo na medida em que a unha cresce e vai sendo aparada. Chegará uma hora, daqui uns quatro a cinco meses, se continuar nesse ritmo, que desaparecerá por completo. Ficarão apenas as marcas conquistadas n’alma, que nunca desaparecerão e continuarão por muito tempo, quiçá em toda esta breve existência, a influenciar minhas decisões e opções de vida. Uma influência, aliás, anterior mesmo a esta peregrinação, considerando que durante 29 dias, em junho/julho de 2009, peregrinei os 800 km do Caminho Francês, desde Saint Jean Pied de Port. (Confira neste blog as postagens do período... Aliás, elas foram consolidadas num livro, intitulado “Pedras do Caminho...”, que inclui textos e imagens inéditas, e está sendo avaliado no Ministério da Cultura, visando os benefícios da Lei Rouanet.) Sempre me pedem para comparar uma e outra peregrinação e sempre tento explicar que, apesar de toda a mística e religiosidade que permeiam ambas, são dois caminhos muito diferentes – e que proporcionam emoções, experiências, vivências, da mesma forma muito diferentes. Concluo quase sempre deixando claro que, apesar de o Caminho Francês ter sido o primeiro e de ter durado 29 dias, numa média de 28 km por dia, ele foi “mais suave” que o Caminho Português, apesar de ter sido o segundo e ter durado 10 dias, numa média de 25 km por dia... Bolhas nos pés, os dois caminhos produziram! Assaduras, aqui e acolá, também! Lesões nas articulações, frio, chuva, fome, sede, cansaço..., assim como alegria, gratidão, paisagens incríveis, pessoas sensacionais, peregrinos, a meta atingida... Tudo muito parecido, afora, afora, o que atribuo ao psicológico, o meu psicológico na peregrinação do Caminho Português..., mas não só o psicológico, pois é necessário incluir toda a complexidade que envolveu a segunda peregrinação... Ano Santo? A solidão do Caminho Português, resultado das características de sua não tão eficiente infraestrutura? A falta do incentivo dos hospitaleiros? A falta de hospitaleiros!!! Não adianta, não é mesmo possível fazer comparações. A convicção que tenho, contudo, e que se cristalizou com ambas as peregrinações, é que caminhar a Santiago de Compostela é essencial. Por isso, posso declarar a todos os que me acompanham neste espaço que, em 2011, peregrinarei o Caminho Aragonês, a partir de Somport, na França. Veja o que diz o guia de El Pais/Aguilar sobre a primeira etapa, de Somport a Jaca – cerca de 31,6 km, que sugere fazer em 7 horas e 30 minutos: “(...) De las cuatro grandes vias jacobeas que cruzaban la Europa medieval, três entraban em la Península por el paso pirenaico de Roncesvalles. La cuarta reunia a los viajeros del sur de Europa em la localidad francesa de Arlés y desde allí salvaba los Pirineos por este Summus Portus (como os romanos denominavam Somport), aprovechando las desgastadas losas de la calzada romana que unia Burdeos y Zaragoza. Es en este punto, a 1.600 metros de altitud, rodeado por los majestuosos circos de Candanchú y Riosetas, donde el moderno peregrino comienza su larga aventura hacia Compostela com una de las etapas más bellas del Camino Aragonés”. 
Primeira etapa: descer de 1.600 metros a... Primeiro dia, peregrinar 31,6 km, descendo de 1.600 metros até 800 e poucos metros? Você está achando que fiquei louco?!? Ah! Uma das “loucuras” do Caminho Português, e que pode ter influenciado também na menor suavidade em relação ao Caminho Francês, foi ter feito uma primeira etapa muito dura, cerca de 37 km, sim, 37 km, de Oporto até São Pedro de Rates, caminhando mais de 8 horas... Acho mesmo que a mancha roxa no dedão do pé esquerdo foi aí desenhada... Turismo, então? Não... acho que não! Quem sabe... Não avacalha! Nesses meses que antecedem o início da jornada, quando busco informações e contato amigos peregrinos para definir a melhor estratégia para fazer o Caminho Aragonês, já decidi que peregrinarei esta primeira etapa em dois tempos. Ou seja, de Puerto de Somport até Villanúa, cerca de 15,9 km, num dia; e de Villanúa a Jaca, outros 15,7 km, no dia seguinte... E assim será em todas as etapas posteriores; com cautela, paciência, sem sofrimento. Estou pensando até, seriamente, em insistir para que desta vez minha mulher esteja ao meu lado... Aproveito para desejar a todos muito bom-humor em 2011. Uma virtude, aliás, que enfatizo no editorial do Perspectiva, que pode ser lido no site www.jornalperspectiva.com.br
Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 18h59
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PEDRAS DO CAMINHO O que estou, após Santiago

Castelo dos Templários, em Tomar: um dos locais que visitei após a peregrinação a Santiago de Compostela Não sei exatamente quando, mas em algum momento, nos últimos dias, me dei conta que desde que cheguei de minha peregrinação a Santiago de Compostela venho, como diria, andando no modo automático. Nada a ver com um robô, pelos menos aquele boneco de latão, fios e engrenagens, geladão, programado a agir desta ou daquela forma, e proibido até de chorar, talvez com a desculpa de que poderia enferrujar ou danificar algum circuito... Não sei exatamente – ah! quanta incerteza! – o que pode significar um ser humano funcionar automaticamente, mas assumo o risco da comparação, pois desde 26 de junho, quando retornei, um mundaréu de coisas aconteceu e exigiu soluções, opções, que as próprias circunstâncias não me deram tempo, ou talvez não demandassem, para uma reflexão mais apurada, mas apenas para a decisão. O risco que corri com essas atitudes ligeiras, e mesmo as não tão ligeiras, também não sei exatamente dimensionar, mesmo porque muitas continuam gerando desdobramentos; o certo é que, no fundo, no fundo, considero todas fruto do meu mais sincero eu, esse eu que reencontro a cada caminhada. A cada, pois a deste ano foi a segunda (veja os registros neste blog em junho de 2009... e, posso revelar, já articulo uma terceira!), com a diferença capital de que desta vez tratou-se duma empreitada em Ano Santo – o que não é pouco, pois, como alguns poucos milhões de privilegiados no mundo, conquistei, pelo menos até a chegada à Catedral de Santiago de Compostela, no dia 16 de junho, após cumprir o ritual católico, os benefícios da indulgência plenária. Ou seja, se fosse possível enfrentar situações semelhantes as que surgiram nesses exatos quatro meses (o calendário me informa que hoje é 26 de outubro...), eis que efetivamente não são possíveis, digo que faria tudo exatamente igual. O peso dessa afirmação categórica é o que me anima a continuar, meio que largado, porém confiante, isto é, cético, mas com fé, ainda que duvidando estar ou não num, como disse mesmo, modo automático. As reflexões vão e ficam; outras vezes vão e vão... As coincidências, isto pode ser uma verdade, parecem ser assim mesmo. Aparecem quando a gente menos espera. Gratificante mesmo é constatar que nesses quatro meses sem postar uma linha neste blog, cerca de mil pessoas o acessaram e, ainda que não tenham tido tempo ou interesse em garimpar informações e imagens sobre as anotações de um simples peregrino brasileiro, tiveram a oportunidade de ver e até ler o texto mais recente, que a partir de agora deixa de sê-lo, cujo título me é uma perturbação constante e me perseguirá ainda por muito tempo, quem sabe até quando: “O perdão pelo que não faço”.
Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 23h56
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PEDRAS DO CAMINHO O perdão pelo que não faço

Missa do peregrino foi celebrada pelo arcebispo de Santiago, Dom Julián Barrio Barrio
Não há dúvida que os peregrinos, os que vão a pé, bicicleta ou cavalo... e os “peregrinos”, os que vão..., que chegam todo dia aos milhares em Santiago de Compostela, buscam indulgência plenária, o perdão aos pecados – o que já referi algumas vezes nesta viagem, mas dei maiores detalhes na minha primeira peregrinação, no ano passado, quando pesquisei e informei desde quando, qual Papa concedeu e até mesmo quem estendeu esse perdão aos que cuidavam de peregrinos, os hospitaleiros... Nem adianta o peregrino dizer que não se trata disso, que não veio atrás de indulgência plenária, pois no fundo, no fundo, esta é a motivação principal dessa agitação, ainda que inconsciente – além do turismo, aventura, desafio, gastar dinheiro, comer bem... A cúpula religiosa sabe bem disso, tanto que traçou uma espetacular estratégia de marketing para atrair e recepcionar número recorde de peregrinos em Santiago de Compostela neste Ano Santo, ou Jacobeo (quando o dia do Apóstolo Santiago o Maior cai no domingo, 25 de julho). E vir a Santiago, em Ano Santo, é a chave para indulgência plenária. Ontem, como já disse, perdi a missa dos peregrinos, que diariamente é realizada a partir das 12 horas. Tive grande sorte, pois a de hoje foi celebrada especialmente pelo arcebispo de Santiago de Compostela, Dom Julián Barrio Barrio. Co-celebrando, teve a atuação do alto clero da Galícia, afinal Santiago é a capital da Província, e a presença especialíssima do Cardeal Juan Sandoval Íñiguez, arcebispo de Guadalajara, México – que saudou os peregrinos e, entre os comentários, contou que veio a princípio para Roma e aproveitou para dar uma esticadinha a Santiago. Afinal, Ano Santo... Ao final, claro, o grande espetáculo do botafumeiro! O anfitrião conduziu a missa de forma polida – o respeito ao peregrino está na alma do povo da Península, ainda mais dos religiosos... –, mas, sem meias palavras, não deixou de colocar em primeiro plano a questão da indulgência plenária. E aproveitou para pautar algumas das exigências – o que, aliás, já havia comentando no post de ontem –, para garantir o perdão dos pecados. Ele enfatizou duas (há mais, naturalmente, que compõem o ritual): confissão e comunhão. No meu caso, comungar já faz algum tempo que busco praticar, embora, verdade seja dita, tenha ficado indignado e até dado um tempo quando soube que um pároco da Capital de São Paulo fazia restrições para dar comunhão a casais que não haviam se consagrado no matrimônio religioso. Ainda que no referido caso, e este não é o meu caso, o homem fosse solteiro e a mulher, viúva. Atitude isolada ou não, já que ao pesquisar fiquei sabendo que isso não era praticado em outras paróquias (“mas é bom dar uma palavrinha com o padre...”, alguém me orientou), fiquei desestimulado em comungar, considerando que no meu caso sou divorciado e vivo em união estável há 26 anos com minha Sandra, que é solteira. Confessar, então, nem me lembrava mais da última vez. Com certeza que já me confessei. Fiz Primeira Comunhão, acho que tinha uns 7 anos; era e é obrigatório. E, quem sabe, em alguma ocasião num dos dois anos em que estudei no extinto Colégio Santista, dos Irmãos Maristas. Nesse contexto, a abordagem do arcebispo Julián Barrio Barrio foi de mestre e deixou à vontade inúmeras pessoas que, como eu, consideram que não devem se confessar pela simples constatação que não praticam, ou praticariam, o que se convencionou chamar de pecado, sejam os capitais, sejam os mais leves – se é possível estabelecer alguma graduação para esse tipo de conduta. Ledo engano! E foi nesse ponto que, lembrando do meu falecido avô Antonio Carneiro Arruda, nos tempos de professor lá em Aquidauana..., dei minha mão à palmatória, à eventual prática, contumaz ou não, de pecados. Pois, sim, articulou o arcebispo, há muitas pessoas com a convicção de que não praticam pecado, eis que bom filho, pai, marido, amigo, que não molestam e nada de ruim fazem a quem quer que seja. Mas, questionou, será que estão fazendo tudo de bom que poderiam e que são capazes. Eis a questão! 
Homilia do arcebispo foi show... mas o espetáculo foi ver novamente o botafumeiro espalhando fumaça na catedral ao som do hino a Santiago

E dá-lhe incenso na peregrinada cheirosa...

Todos querendo o melhor ângulo para registrar o incensário no ar

Cardeal Juan Sandoval Íñiguez, arcebispo Julián Barrio Barrio e uma freira: cumprimentos pela celebração

Peregrinos descem as escadas da catedral ao final da missa...

... uma grande procissão: momento de reflexão

Eu: que missa!
Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 17h06
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PEDRAS DO CAMINHO A etapa Padrón-Santiago...

Colegiata de Iria Flavia: obra dos séculos XII e XIII Abaixo, as fotos da X e última etapa de minha peregrinação no Caminho Português, que comecei no Porto, em Portugal, no dia 6 de junho, e terminei neste dia 15, em Santiago de Compostela – comemorando não só a chegada à tumba do Apóstolo, mas também a vitória do Brasil contra a Coréia do Norte, na copa do mundo de futebol. O texto sobre a viagem está no post anterior, que revela meu novo nome em latim, e que se insere no misticismo da segunda peregrinação a Santiago de Compostela... Ah! E como hoje perdi a hora da missa dos peregrinos, amanhã 16, com certeza, estarei lá para ver o espetáculo do botafumeiro e orar a todos... e nesse todos, que se incluam mesmo todos!!! E claro, especialmente, a família e os amigos. 
Cruzando Iria Flavia: território incluía o que hoje é Compostela 
Santuário de Esclavitude: estilo barroco, concluída em 1886 
Pernas descansam para completar a etapa final: acontece o inexplicável... 
Minha sombra: certeza de que tenho a minha companhia 
Despedida dos bosques da Galícia 
Monte Agro dos Monteiros: choro, ao avistar ao longe as três torres da Catedral de Santiago 
Cão se alivia no meio do Caminho 
Fim da missa dos peregrinos, confraternização e festa na entrada principal 
Casal argentino: Antonio prepara documentário sobre o Caminho
Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 18h29
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PEDRAS DO CAMINHO O Aloisium agora é Ludovicum! Viva Santiago!

Eu, ao chegar na Catedral: final da missa... Que eu tentei, ah! como tentei. Sai de Padrón às 7h25 e, apesar da previsão de chegar a Santiago de Compostela em 5 horas e 30 minutos de peregrinação pelo Caminho Português – o que me colocaria na catedral às 12h55 e, caso conseguisse ter acesso ao templo, com tempo talvez de ver o espetáculo do botafumeiro... – nem tudo acontece como a gente quer... Eis que cheguei na porta principal da catedral por volta das 13h10, exatamente no término da missa dos peregrinos, quando o templo já estava sendo esvaziado e uma multidão permanecia parada em frente, peregrinos sentados no chão, pessoas que nunca se viram se cumprimentando, enfim, uma grande festa... Esse é o clima de Santiago neste Ano Jacobeo, quando o Dia do Apóstolo, 25 de julho, cai num domingo – e estabelece as normas canônicas que, cumpridas determinadas exigências, o peregrino a Santiago terá direito à indulgência plenária, ou seja, o perdão de todos os pecados. Falo em exigências, pois, além da peregrinação, o pretendente tem que orar um pai nosso ou credo... e mais outras tantas coisinhas, algumas das quais guardadas em “caixa-preta”, que trato de garimpar para não esquecer de nada. Ou, ao final, ainda ter de ouvir de um carola espertinho: “Mas, você não sabia!!!!” Perdida a missa – não tem problema, já reservei duas noites num hostal a uma quadra da catedral... –, aproveitei para visitar a bela catedral, atentar para inúmeros detalhes que passaram desapercebidos na primeira visita, no ano passado, após completar o Caminho Francês. Em seguida, fui buscar minha Compostelana, o documento que prova a minha visita a Santiago de Compostela, mediante a peregrinação documentada pela minha credencial – com carimbos desde o Porto, em Portugal. Ao contrário da primeira vez – quando a jovem que me atendeu, em tom de ameaça, disse que eu deveria ter carimbos de tudo quanto fosse lugar que passasse e não apenas dos locais onde havia dormido... –, numa oficina vazia (diferente do ano passado, quando enfrentei fila...) um atencioso rapaz comprovou meus carimbos e, ao pedir que completasse o formulário oficial com meus dados (era o primeiro brasileiro do dia!), preparou com sua letra a Compostelana. O curioso, e bota curioso nisso... para não dizer outra coisa... é que, ao preencher o documento em latim, em vez de grafar Aloisium Carolum Ferraz, como na primeira Compostelana, que está pendurada na parede do meu escritório, escreveu Ludovicum... Pois é, se no ano passado, achei interessante observar que era outro, desta vez, sou... outro!!! Ao lembrá-lo da situação, o jovem até se dispôs a fazer novo documento. Mas, disse que não era necessário, e, comigo mesmo, considerei que a coincidência reforçou a ideia que já fazia, de que, realmente, sou outro, pois encontrei outro Luiz no Caminho Português...
Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 11h39
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PEDRAS DO CAMINHO Origem da mitologia jacobea

Pedra na qual a barca foi amarrada está na Igreja de Santiago de Padrón
Aparentemente tranquila por ter apenas 18,3 km, a etapa entre Caldas de Reis e Padrón levou quase seis horas para ser vencida, não só devido ao cansaço, que aumentou, mas também pelas condições do relevo galego, com uma subida de 135 metros em Carracedo, para voltar ao nível do mar em Padrón. Tudo leva a crer que amanhã, terça-feira 15, estarei em Santiago de Compostela – nem imagino a hora... –, após ter completado a nona etapa do Caminho Português, desde minha saída do Porto, no domingo 6 de junho. Conforme já havia decidido não estou em albergue. Assim que cheguei a Padrón procurei um hotel, com a melhor localização para me posicionar fácil para a etapa de amanhã – que, segundo o guia que utilizo, terá 23,6 km, com sugestão de tempo em 6 horas e 30 minutos. Ou seja, tudo indica que não chegarei a tempo da missa dos peregrinos e o espetáculo do botafumeiro, às 12 horas...

Eu, em San Miguel de Valga

Ponte sobre o rio Bernesga, em Caldas de Reis 
Subindo para Carracedo: depois de chuvas contínuas, o sol iluminou o Caminho 
Igreja de Santa Mariña de Carracedo: torre campanário barroca 
Caminho corta plantações de uva: neste momento é melhor que não chova 
Agora descendo, para Pontecesures: haja joelho 
Dois peregrinos austríacos: Ernest e Helmut 
Próximo a Padrón, uma alternativa é o albergue do Convento de Herbón 
Ponte sobre o rio Ulla, chegando a Padrón 
Placa da “Ruta Xacobea do mar de Arousa e Ulla...” Tudo bem. Mas, com toda certeza, darei um forte abraço no Apóstolo e aproveitarei o dia para conhecer mais a Catedral e a cidade, considerando que no ano passado cheguei num sábado, em meio a uma movimentada feira medieval – como deve acontecer todo sábado. Nesse momento que antecede a meta, compartilho algumas informações relevantes sobre a cidade onde estou, Padrón, que é apontada como a origem da mitologia jacobea. Afinal, segundo se dissemina, foi em Padrón que chegou a barca com os restos do Apóstolo Santiago o Maior, vinda de Jaffa, na Palestina. Santiago foi decapitado no ano 42 d.C. por ordem do rei Herodes Agripa, e os discípulos de Santiago viajaram desde o Mediterrâneo e a Costa Atlântica Peninsular, visando enterrá-lo na região onde o Apóstolo pregou em vida. A barca entrou pelo rio de Arousa, executou uma via crucis fluvial – conforme detalha uma grande placa à margem do rio Ulla, que integra a bacia hidrográfica da região, e aportou onde hoje está Padrón –, até que os discípulos a carregaram até o monte Libradón, atual Compostela, para celebrar o sepultamento... O “pedrón” original onde foi a barca foi amarrada, que dá o nome à cidade, se encontra debaixo do altar maior da Igreja de Santiago de Padrón e possui uma inscrição romana sem referência: “No ori eses osp”. Junto, tem uma placa com os seguintes dizeres: “Cippus, cui nomen Pet ronum adest. Ei navim S. Jacob Zebedae Corporis. Vectricem alligatam fuisse. Pie creditur”.
Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 13h49
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PEDRAS DO CAMINHO Mãos ao alto ou o espírito do Caminho? Parte Final

Sinais do Caminho: para Santiago, para Fátima...
Antes, leia a Parte I... Ao repassar os números neste domingo 13, após ter completado oito dias desde que iniciei a peregrinação do Caminho Português no Porto, em Portugal, já caminhei 196,2 km. Em cinco etapas, uma por dia, foram 123,3 km em solo português – ou um pouquinho menos, pois a conta inclui os 3,2 km entre Valença, a última cidade de Portugal, a Tui, a primeira da Espanha. A saber: 37,1 km, no domingo 6, do Porto a São Pedro de Rates; 15,5 km, na segunda 7, de Rates a Barcelos; 33 km, na terça 8, de Barcelos a Ponte de Lima; 18,2 km, na quarta 9, de Ponte de Lima a Rubiães; e 19,5 km, na quinta 10, Rubiães a Tui. E mais 72,9 km em terras espanholas, feitas em três etapas: na sexta 11, de Tui a Redondela, 30,9 km; no sábado 12, de Redondela a Pontevedra, 18,2 km; e neste domingo 13, de Pontevedra a Palas de Reis, 23,8 km. Tudo isso de acordo com os números do guia El País/Aguilar. Segundo o mesmo guia, posso dizer que neste momento estão restando 41,9 km para estar junto ao Apóstolo. Um percurso que pretendo fazer em mais duas etapas: amanhã, segunda 14, Caldas de Reis a Padrón, 18,3 km; e na terça 15, Padrón a Santiago de Compostela, os últimos 23,6 km.
Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 15h28
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PEDRAS DO CAMINHO Mãos ao alto ou o espírito do Caminho? Parte IV

Ponte do Burgo, sobre o rio Lérez: deixando Pontevedra em direção a Caldas de Rei Domingo 13, a terceira etapa na Espanha da peregrinação pelo Caminho Português a Santiago de Compostela foi de Pontevedra a Palas de Reis (23,8 km). Se você está chegando agora leia primeiro a Parte I!

Sinalização galega do Camino Xacobeo... 
E dá-lhe bosques: San Caetano, hoje sem chuva, mas o Caminho repleto de poças e lama 
Em vários trechos o Caminho cruza com a linha ferroviária 
Marcos do Caminho e da Via Romana XIX 
Albergue de Briallos: ideia era ficar lá, mas estava fechado e a chave tinha que pegar... 
Ermita de Santa Lucía, na saída de Briallos 
Chegada a Palas de Reis: fim de mais uma etapa
Escrito por Luiz Ferraz Cebola às 15h13
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